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Porto-velhenses pagam a 2ª tarifa de ônibus coletivo mais cara do Brasil
Nesta segunda-feira (17), os amazonenses que utilizam o transporte coletivo agradeceram a decisão da juíza de Direito Etelvina Lobo Braga, da 3ª Vara da Fazenda Pública de Manaus (AM). A magistrada, em decisão proferida no sábado (14), interferiu diretamente no Decreto Municipal que, entre outras medidas, elevaria o valor da tarifa de ônibus coletivo de R$ 4,50 para R$ 5,00. A determinação foi tomada a partir de uma ação civil pública do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), que apontou a falta de justificativa para o aumento de R$ 0,50.

Em termos populacionais e de extensão territorial, Manaus, capital do estado do Amazonas, supera Porto Velho (RO), que possui pouco mais de 460 mil habitantes. Diante dessa realidade, o que justifica a tarifa do transporte coletivo ser tão elevada em Porto Velho? Segundo informações divulgadas pelo site da companhia de transporte local, o valor da passagem em espécie está sendo cobrado a R$ 6,00.

A única exceção ocorre quando o passageiro adquire o cartão da prestadora do serviço, reduzindo o valor para R$ 4,50. Em um cenário marcado pela desvalorização do salário mínimo, pela alta carga tributária e pela corrupção — tanto em âmbito local quanto nacional —, o alto custo do transporte público se torna um fardo para a população. “Se somarmos esse valor todos os meses, considerando as condições das ruas e das paradas de ônibus, muitas delas sem qualquer estrutura, começamos a questionar a qualidade do serviço: será que realmente vale esse preço?”, indaga um morador do bairro Conceição, que preferiu não se identificar.

Muitos consideram as tarifas abusivas e defendem que, diante do cenário econômico tanto em Porto Velho quanto no Brasil, elas deveriam ser tratadas com mais responsabilidade pelo Executivo e Legislativo Municipal, sendo ajustadas de acordo com a realidade financeira da população. A reportagem entrevistou estudantes que pagam tarifas a partir de R$ 2,25. Embora o valor possa parecer baixo, para quem depende da renda de pais assalariados, representa um impacto significativo no orçamento mensal.
Em Rio Branco (AC), o valor é de R$ 3,50, congelado desde 2021 por decreto. Já em Boa Vista (RR), a passagem custa R$ 5,50. Em Macapá (AP), os moradores pagam R$ 3,70, enquanto em Palmas (TO) a tarifa foi reajustada para R$ 3,83 — sendo esta última, juntamente com Rio Branco, uma das cidades com o menor custo tarifário na região.
Comparando todas essas capitais, Porto Velho se destaca como a cidade com a tarifa de ônibus coletivo mais alta da Região Norte. Além disso, a capital divide o posto de uma das cidades com a passagem mais cara do Brasil ao lado de Curitiba (PR) e Florianópolis (SC), onde o valor chega a R$ 6,90.
