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Inscrições abertas até o dia 17 para cursos remotos em todos os municípios de Rondônia

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Estão abertas até o dia 17 de junho as inscrições para cursos remotos ofertados pelo Instituto Estadual de Desenvolvimento da Educação Profissional (Idep), em todos os municípios de Rondônia. As matrículas podem ser realizadas pelo link https://rondonia.ro.gov.br/publicacao/cursos-remotos-inscricoes-abertas-ate-17-6/
As aulas acontecem na plataforma Google Classroom e são híbridas, sendo duas horas na modalidade remota e duas horas com atividades na plataforma. Os participantes receberão certificados mediante a participação em todas as atividades.

O governador de Rondônia, Marcos Rocha, ressaltou a importância do ensino online na ampliação da oferta de mão de obra em todas as regiões do estado. “Com o avanço tecnológico, o governo do estado está levando ensino profissionalizante aos mais diversos locais, garantindo oportunidade de crescimento profissional a toda população rondoniense”, destacou.

Segundo a presidente do Idep, Adir Josefa de Oliveira, a consolidação do ensino online, que se expandiu na pandemia devido ao distanciamento social, está cada vez mais atraindo os estudantes. “Hoje, com a dinâmica da vida moderna, quando as múltiplas tarefas ocupam o tempo do cidadão, os cursos remotos se tornaram uma grande tendência para quem quer estudar com planejamento e comodidade”, destacou.

A estudante Karla Priscila Besserte Candido, de 16 anos, que mora em Espigão do Oeste, está tendo a chance de se preparar para o mercado de trabalho, fazendo o Curso Técnico em Agroecologia, no Centro Técnico Estadual de Educação Rural (Centec Abaitará), unidade do Idep localizada em Pimenta Bueno.

“Estou fazendo o curso por ser muito importante e atual, tendo em vista a grande necessidade, quando cada vez mais está sendo priorizada a preservação do meio ambiente. Precisamos produzir de forma sustentável”, pontuou a jovem, cuja família tem propriedade rural com cultura predominante do café.

Cursos remotos ofertados

Empreendedorismo;
Auxiliar Administrativo;
Automaquiagem; e
Inglês Instrumental.

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Petrobras reduz preço do querosene de aviação

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A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (1º) que reduziu o preço de venda do querosene de aviação (QAV) em 14,5%. O preço do combustível vendido às distribuidoras é reajustado sempre no início do mês, e a variação de julho é o segundo recuo seguido.  

A mudança representa diminuição de R$ 0,81 por litro. Nas refinarias da companhia, o novo preço varia de R$ 4,67 a R$ 4,93 por litro

A estatal explicou que o movimento de baixa no preço foi possível por causa da “atenuação” dos efeitos que o conflito no Oriente Médio impôs ao preço internacional dos derivados do petróleo.  

No ano, no entanto, o combustível usado por aviões e helicópteros está 40,5% mais alto que o do final de 2025. Isso representa acréscimo de R$ 1,39 por litro. 

Com a eclosão da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, a cadeia logística da indústria do petróleo sofreu perturbações, o que levou à disparada de preços.  

O motivo principal foi o bloqueio do Estreito de Ormuz, ao sul do Irã. Antes da guerra, 20% da produção internacional de óleo e gás passava pela região. Com menos oferta de petróleo nos mercados, o preço subiu. 

Apesar de o Brasil ser produtor de petróleo, o produto e seus derivados, por serem commodities (matéria-prima negociada em grandes quantidades), têm o preço definido no mercado internacional. 

Últimos meses 

Em abril, a Petrobras reajustou o QAV em 55%. Em maio houve alta de 18%. Na ocasião, para suavizar o efeito do encarecimento nos caixas das companhias, a estatal permitiu que as distribuidoras parcelassem o reajuste. Em junho a empresa reduziu o QAV em 14,2%.  

A atenuação dos efeitos da guerra fez também com que o governo federal iniciasse o processo de retirada de subsídios (espécie de reembolso) às empresas produtoras e importadoras de combustíveis. A medida era uma forma de impedir choque de preços para o consumidor final.  

Cadeia de comércio

A Petrobras comercializa para as distribuidoras o QAV produzido nas refinarias da empresa ou importado. Uma vez comprado pelas distribuidoras, as empresas transportam o combustível e vendem para companhias de transporte e outros consumidores finais nos aeroportos ou ainda para revendedores. 

A estatal tem participação de cerca de 85% da produção do QAV, mas o mercado é aberto à livre concorrência, sem restrições para outras empresas atuarem como produtoras ou importadoras. 

Fonte: Agência Brasil

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Rondônia alcança 74% de crianças alfabetizadas e lidera a Região Norte

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Com investimentos em políticas educacionais, aprimoramento da alfabetização e atuação integrada entre estado e municípios, Rondônia vive um dos momentos mais expressivos da educação pública estadual, alcançando 74% de crianças alfabetizadas na idade certa em 2025, superando dois anos antes a meta projetada pelo Ministério da Educação (MEC) para 2027.

O resultado colocou Rondônia na 4ª posição do ranking nacional de alfabetização, consolidando o estado como referência no Brasil e líder da Região Norte no Indicador Criança Alfabetizada, índice que avalia o percentual de estudantes alfabetizados até o final do 2º ano do ensino fundamental.

O avanço é resultado das ações implementadas pelo governo de Rondônia, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), alinhadas ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), instituído para garantir a alfabetização plena das crianças brasileiras até 2030. O programa integra as diretrizes da Lei Federal nº 15.247, de 31 de outubro de 2025, que instituiu oficialmente o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada no país, estabelecendo cooperação entre União, estados e municípios para garantir a alfabetização das crianças até o final do 2º ano do ensino fundamental.

Entre as principais estratégias desenvolvidas pelo estado, está o Programa Estadual de Alfabetização (Proalfa), institucionalizado por meio da Lei nº 5.735, de 22 de janeiro de 2024, e regulamentado pelo Decreto nº 29.785 e ampliado pela Lei n° 6.183, de 1° de outubro de 2025, reforçando o regime de colaboração entre estado e municípios, consolidando assim, uma política pública permanente voltada à alfabetização das crianças rondonienses.

SAIBA MAIS SOBRE O PROALFA

Governo de RO regulamenta o Proalfa, programa que visa alfabetização plena até 2030

Formação integrada do Proalfa fortalece práticas pedagógicas nos anos iniciais em Rondônia

Kits de livros didáticos do Proalfa são entregues a estudantes do 1º ao 5º ano em escolas de Rondônia 

Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, o resultado evidencia que com planejamento, gestão eficiente e investimentos crescentes na educação é possível transformar a realidade das nossas crianças. “Superar a meta nacional antes do prazo previsto demonstra que estamos no caminho certo e reforça o compromisso do governo de Rondônia com o futuro das novas gerações”, ressaltou.

RECONHECIMENTO NACIONAL

O desempenho de Rondônia também garantiu reconhecimento nacional por meio do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, concedido pelo MEC às redes de ensino que desenvolvem políticas públicas voltadas à alfabetização infantil. A premiação reconhece estados e municípios que desenvolvem políticas públicas voltadas à alfabetização infantil, considerando critérios técnicos, pedagógicos e de gestão educacional definidos pelo Ministério da Educação.

Entenda como funciona o Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização e confira os resultados finais das edições já realizadas: 

  • A participação no Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização é voluntária e realizada por meio de adesão das secretarias de educação no Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle (Simec);
  • A classificação é definida a partir do cumprimento de critérios estabelecidos pelo Ministério da Educação, incluindo ações de gestão, formação de professores, implementação de políticas de alfabetização, monitoramento de resultados e alcance das metas educacionais;
  • As categorias são divididas em Bronze, para pontuações entre 60 e 89 pontos; Prata, entre 90 e 109 pontos; e Ouro, para pontuações entre 110 e 150 pontos, desde que a rede alcance também a meta estabelecida para o Indicador Criança Alfabetizada.

Na primeira edição da premiação, realizada em 2024, Rondônia conquistou o Selo Ouro. Já na edição de 2025, cuja cerimônia ocorreu em março de 2026, em Brasília, o estado recebeu o Selo Prata, consolidando o reconhecimento pelos avanços alcançados na alfabetização.

Acompanhe as conquistas:

Rondônia recebe o “Selo Ouro” por excelência na alfabetização

Alfabetização de Rondônia é destaque nacional e recebe Selo Prata do Ministério da Educação

Embora tenha alcançado 110 pontos nos critérios de avaliação do MEC, pontuação compatível com a categoria Ouro, Rondônia recebeu o Selo Prata por não ter atingido, em 2024, a meta de 67% de crianças alfabetizadas prevista para aquele ciclo avaliativo, registrando índice de 63%. O resultado, no entanto, demonstrou evolução significativa já no ano seguinte, quando o estado alcançou 74% de crianças alfabetizadas e superou a meta nacional projetada para 2027.

Os resultados municipais também demonstraram evolução significativa. Em 2025, Rondônia registrou:

  • 24 municípios com Selo Ouro;
  • 21 municípios com Selo Prata;
  • 2 municípios com Selo Bronze.

Municípios como: Cacoal, Cabixi, Cacaulândia, Santa Luzia d’Oeste, Rolim de Moura e Nova Brasilândia d’Oeste avançaram de categoria em relação ao ciclo anterior, evidenciando o fortalecimento das políticas educacionais em todo o território rondoniense.

Em âmbito nacional, o Brasil avançou de 36% para 66% de crianças alfabetizadas na idade certa entre 2021 e 2025, segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação durante a cerimônia nacional de entrega do selo. Veja como o Brasil avançou na alfabetização e acompanhe a cerimônia nacional de entrega do selo realizada em Brasília.

POLÍTICA PÚBLICA 

O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada estabelece metas progressivas até 2030, quando o Brasil deverá alcançar mais de 80% das crianças alfabetizadas na idade certa. Rondônia, no entanto, já atingiu em 2025 o índice previsto nacionalmente apenas para 2027.

Para o secretário de Estado da Educação, Massud Badra, o avanço da alfabetização em Rondônia é resultado de uma política educacional construída de forma contínua e colaborativa entre estado e municípios. “O fortalecimento da alfabetização em Rondônia passa pela valorização dos professores, acompanhamento pedagógico permanente e união entre estado e municípios. O Proalfa consolidou uma política pública estruturante, baseada em resultados e no compromisso de garantir que as crianças aprendam na idade certa”, destacou.

Um dos pilares desse avanço é o investimento na formação dos profissionais da educação. Em regime de colaboração com os municípios, professores do 1º ao 5º ano do ensino fundamental participam de formações continuadas presenciais realizadas bimestralmente, o que reforça práticas pedagógicas, aperfeiçoa metodologias de ensino e contribui diretamente para a melhoria dos resultados de aprendizagem.

Além da formação continuada de professores, o governo de Rondônia vem investindo em:

  • Distribuição de kits pedagógicos;
  • Aprimoramento das avaliações educacionais;
  • Acompanhamento individualizado da aprendizagem;
  • Ampliação do suporte técnico às escolas;
  • Integração entre estado e municípios.

Proalfa também prevê ações permanentes de monitoramento dos indicadores educacionais e desenvolvimento de estratégias para recuperação das aprendizagens, especialmente após os impactos causados pela pandemia.

TRANSFORMAÇÃO NA SALA DE AULA

Os avanços registrados nos indicadores de alfabetização refletem diretamente o trabalho realizado diariamente por professores e equipes pedagógicas em escolas de todas as regiões do estado. No distrito de Bandeira Branca, em Presidente Médici, a professora Daianne Mateus Dantas de Oliveira, que atua no 2º ano do ensino fundamental da Escola Estadual de Ensino Fundamental Apolônia Rossi Javarini, acompanha de perto os resultados das ações desenvolvidas por meio do Proalfa.

Segundo a educadora, o processo de alfabetização ganhou mais eficiência nos últimos anos graças ao aprimoramento das estratégias pedagógicas e ao acompanhamento mais próximo da aprendizagem dos estudantes. “Nos últimos anos, o processo de alfabetização dos estudantes passou por mudanças significativas. Houve uma maior preocupação com o desenvolvimento das habilidades de leitura, escrita e compreensão, acompanhada por avaliações diagnósticas mais frequentes que permitem identificar dificuldades e planejar intervenções pedagógicas”, destacou.

A professora também participou das formações promovidas pelo Programa Estadual de Alfabetização e afirma que, a iniciativa intensificou o trabalho desenvolvido em sala de aula. As formações vieram para confirmar e reforçar o trabalho já realizado, proporcionando novos conhecimentos e estratégias pedagógicas voltadas para a alfabetização. Os materiais oferecidos serviram como importantes ferramentas de apoio ao planejamento e à prática docente, contribuindo para avanços significativos na aprendizagem, leitura e escrita dos alunos.

Entre as experiências mais marcantes da carreira, a educadora lembra da trajetória de um estudante que enfrentava dificuldades de aprendizagem associadas às questões emocionais. “Gradativamente, o aluno passou a demonstrar mais confiança, participação e interesse pelas atividades propostas. Ao longo do processo foi possível observar avanços significativos em sua alfabetização. Essa experiência reforçou a importância do acolhimento, da escuta ativa e do afeto no desenvolvimento das crianças”, disse.

O trabalho desenvolvido pela Escola Apolônia Rossi Javarini, localizada na Vila Bandeira Branca (km 22 da BR-364), no município de Presidente Médici, também recebeu reconhecimento estadual. Em 2025, a unidade escolar foi premiada na categoria de Maior Evolução do Estado de Rondônia durante o Prêmio Excelência com Equidade, iniciativa do Proalfa que reconhece escolas com avanços significativos nos indicadores de alfabetização. A conquista garantiu à escola uma premiação de R$ 10 mil e uma placa de homenagem.

“Por se tratar de uma escola da zona rural, foi uma grande alegria receber esse reconhecimento. Mesmo diante dos desafios, ver que nossos alunos estão aprendendo e evoluindo mostra que todo esforço vale a pena”, ressaltou a professora.

Os resultados alcançados pela alfabetização também podem ser percebidos na trajetória dos estudantes. Em Ji-Paraná, a aluna Bárbara Gomes Mendonça, de 11 anos, estudante do 5º ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental São Francisco, foi alfabetizada na própria unidade de ensino e hoje reconhece a importância da leitura e da escrita em sua formação acadêmica e pessoal. “Quando comecei a aprender a ler e escrever, tudo era muito diferente do que eu já conhecia e, no início, achei um pouco difícil. Mas também foi uma fase muito especial porque fiz novas amizades e tive professoras que me ensinaram com muito amor e carinho. Hoje, consigo realizar atividades de interpretação de texto, português e matemática com facilidade, além de aprender mais sobre assuntos que gosto, como história e geografia. Para mim, saber ler é ter a oportunidade de aprender, compreender o mundo e descobrir novos conhecimentos”, afirmou Bárbara.

A evolução da estudante também foi acompanhada de perto pela mãe, Ana Paula Martins Mendonça, que destaca o papel da família e da escola durante o processo de alfabetização. “Sempre acompanhei os estudos da Bárbara, ajudando nas tarefas e incentivando a aprendizagem. A maior mudança que percebi foi a independência que ela conquistou ao aprender a ler e escrever. Hoje ela realiza atividades sozinha, demonstra mais confiança e segurança no que aprende. Fico muito feliz de vê-la no 5º ano lendo e escrevendo com autonomia e acredito que a educação abrirá muitas oportunidades para o futuro dela”.

PRÊMIO EXCELÊNCIA COM EQUIDADE

Previsto no Artigo 37 da Lei nº 5.735/2024, o Prêmio Excelência com Equidade integra as ações do Proalfa e incentiva a melhoria dos resultados educacionais por meio da valorização das boas práticas pedagógicas. A iniciativa prevê incentivos de até R$ 60 mil para escolas com os melhores resultados no Índice de Qualidade de Alfabetização da Escola (IQAe), além de premiações para unidades que apresentarem as maiores evoluções e apoio financeiro às escolas que necessitam fortalecer seus indicadores de aprendizagem.

Além dos incentivos financeiros, o programa também reconhece anualmente as melhores escolas públicas do estado por meio de homenagens e premiações baseadas nos resultados do Sistema de Avaliação Educacional de Rondônia (Saero), consolidando a cultura de excelência e equidade na educação pública rondoniense.

Fonte: Secom – Governo de Rondônia

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Oito em cada 10 mortos em ações policiais são negros, mostra relatório

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Em 2025, nove estados brasileiros registraram, juntos, 4.330 mortes em decorrência de ações policiais, alta de 6,4% na comparação com 2024. Quase nove em cada dez desses registros – 86,3% ou 3.104 mortes –, envolveram vítimas negras (pretas ou pardas). 

Os dados constam da 7ª edição do relatório Pele Alvo – entre Racismo e Letalidade, o Amanhã, divulgada nesta quarta-feira (1°) pela Rede de Observatórios, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC). O documento reúne dados das secretarias estaduais de Segurança do Amazonas, da Bahia, do Ceará, Maranhão, Pará, de Pernambuco, do Piauí, Rio de Janeiro e de São Paulo.

Além do padrão de vítimas majoritariamente negro, chama a atenção ainda a pouca idade dos envolvidos nas ocorrências: 64,8% do total (2.804 mortes) eram jovens com até 29 anos, sendo 310 eram crianças e adolescentes.

“Ao transformar adolescentes de favelas e periferias em alvos preferenciais de um confronto permanente, o aparato policial sabota o futuro de comunidades inteiras.”

De acordo com o relatório, em média, os negros têm quatro vezes mais chances de serem mortos pela polícia do que brancos. Essa probabilidade é ainda maior em alguns estados como Pernambuco, onde essa parcela da população tem 11 vezes mais chance de ser vítima de ações policiais, e também no Rio de Janeiro, onde a probabilidade é seis vezes maior.

Dinâmica

Segundo os pesquisadores, mesmo com alterações nas dinâmicas de violência no país, os alvos preferenciais (homens, jovens e negros) se mantêm inalterados.

“A centralidade do racismo, enquanto instrumento de operação de uma lógica hierarquizante da sociedade, segue a sua marcha silenciosa e constante, determinando quem são aqueles que podem e devem ser alvos do aparato estatal.”

O relatório chama a atenção para a expansão e a articulação de facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) para o Norte e o Nordeste do país, que dominaram o debate de pesquisadores e da imprensa.

Recorte regional

Os dados do relatório Pele Alvo trazem destaques que “exigem atenção urgente”. Quatro estados brasileiros registraram o maior número de mortes em decorrência de ações policiais, desde 2019: Ceará (200), Maranhão (142), Pará (632) e São Paulo (834).

O Maranhão apresentou alta recorde (86,8%) na comparação com os dados de 2024. Mais da metade das vítimas (56,3%) tinha idade entre 18 e 29 anos. Em sete anos, foram notificadas 628 mortes. Os pesquisadores justificam esse “aumento explosivo” em função da mudança na dinâmica do crime: 

“Hipóteses para esse fenômeno apontam para a interiorização de facções oriundas do Rio e de São Paulo, que articulam-se com grupos locais, como o Bonde dos 40, na disputa por rotas de escoamento.”

O relatório também cita a negligência histórica de governos estaduais no registro dos dados sobre raça e cor. No Maranhão, por exemplo, a falha no detalhamento de perfil étnico-racial das vítimas em 2.023 abrangia 67,7% dos casos, proporção que caiu para 54,9%, mas ainda preocupa os autores do estudo.

Embora também tenha registrado uma ligeira melhora nos dados, o Ceará também tem deixado essa lacuna por resolver. A caracterização incompleta das vítimas passou de 77,2% dos casos em 2023, para 57,5% em 2025.

Segundo os pesquisadores, após o Maranhão reconhecer o erro e passar a fornecer mais dados, o total de vítimas negras cresceu 22 pontos percentuais, ao passo que no Ceará o aumento foi de aproximadamente oito pontos, o que, ressaltam, consolida o racismo como componente essencial para se compreender a letalidade cometida por agentes da segurança pública. 

Na Bahia, a letalidade policial atingiu o ápice em 2023, com 1.702 pessoas mortas por agentes de segurança. Apesar da queda no ano passado (1.570 mortes) a equipe que assina o relatório chama a atenção para o fato de que em apenas 19 dos 365 dias de 2025, não houve registro de morte em decorrência de ações policiais no estado que reúne a maior população negra do país, e palco de disputas de mais de 20 facções criminosas.

Pernambuco apresentou alta de 30,8% na letalidade policial, em um cenário em que a presença do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) também contribuiu para o resultado, na leitura dos especialistas. São Paulo e Pará registraram alta de 2,3% e 12,3% no número de mortes por agentes de segurança.

O Amazonas manteve um total de 43 mortes; enquanto o Piauí foi o único estado com recuo no índice (16,67%). Neste estado do Nordeste, a pressão e o controle social exercidos coletivamente, por movimentos sociais, universidades públicas e o Ministério Público do Estado, podem ter influenciado o resultado, como pondera o relatório. 

Sobre o Rio de Janeiro, que viu o índice subir 13,8%, enfatiza-se que, no âmbito da Operação Contenção, nos Complexos da Penha e do Alemão, 115 mortos foram classificados como “narcoterroristas”.

“A utilização do termo narcoterroristas, assim como a associação desses indivíduos à chamada ‘chacina do Alemão’, reflete a normalização da violência extrema como elemento estruturante da segurança pública fluminense. Ao mesmo tempo, a caracterização recorrente do Rio de Janeiro como um narcoestado funciona como uma admissão institucional da incapacidade de formular políticas eficazes”, comentam os pesquisadores.

Confira alguns destaques de cada estado:

Amazonas
75% das mortes foram provocadas pela Polícia Militar
100% das vítimas eram homens
Manaus concentrou 37,21% dos casos

Bahia
99,6% das vítimas eram homens
12 municípios concentraram metade das vítimas
De 365 dias do ano, 346 registraram mortes

Ceará
12 municípios registraram 50,5% das vítimas
64% das vítimas tinham entre 18 e 29 anos
57,5% das vítimas não tinham informação de raça ou cor

Maranhão
100% das vítimas eram homens
67,6% das vítimas tinham até 29 anos
11 municípios concentraram 50,7% das vítimas

Pará
61,4% das vítimas tinham entre 18 e 29 anos
89,7% das vítimas foram mortas pela Polícia Militar
4.028 mortos pela polícia em sete anos

Pernambuco
Recife concentrou 12,4% das vítimas
1 policial foi morto decorrente de intervenção policial
100% das vítimas eram homens

Piauí
55% das vítimas tinham de 18 a 29 anos
85% das vítimas eram negras
65% das vítimas foram mortas em confronto com a PM

Rio de Janeiro
Aumento de 13,8% no número de vítimas
96,5% das vítimas eram homens
A capital registrou 56,3% das vítimas

São Paulo
Quase 5 mil mortes em sete anos
98,7% das vítimas eram homens
A capital teve 30,5% das mortes

Outro lado

Os dados de mortes decorrentes da intervenção policial são obtidos junto às secretarias de segurança dos estados e órgãos correlatos por meio de solicitações via Lei de Acesso à Informação (LAI).

A Agência Brasil entrou em contato com a pasta de Segurança Pública dos nove estados mencionados no estudo, mas nem todas se pronunciaram. 

A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS), a quem as polícias estão vinculadas, afirmou que todas as ações realizadas pelas forças de segurança são norteadas por preceitos técnicos, operacionais e legais e protocolos que priorizam a preservação da vida.

A pasta nega adotar como critério para autorizar intervenções policiais “características pessoais, como a cor da pele” e enumera como procedimentos considerados nesses casos o registro de ocorrências, informações produzidas pelos setores de inteligência, cumprimento de mandados judiciais ou situações de flagrante delito.

Na nota encaminhada à reportagem, a SDS disse submeter à sua Corregedoria-Geral casos envolvendo operações que culminam em mortes, para que os fatos sejam apurados, em condução consonante com diretrizes do Ministério Público. E que, quando são identificadas irregularidades, os responsáveis respondem por seus atos, conforme prevê a lei. 

“A SDS também destaca que investe permanentemente na formação e no aperfeiçoamento dos profissionais de segurança pública”, informou. “O fortalecimento das ações de inteligência e o aperfeiçoamento contínuo dos protocolos operacionais também integram a estratégia da Secretaria para reduzir situações de confronto e ampliar a eficiência e a responsabilidade das ações policiais”, conclui.

Também em nota da Secretaria de Estado de Segurança Pública, o governo fluminense salientou que o indicador de Mortes por Intervenção de Agentes do Estado (Miae) vem apresentando queda.

“Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), no acumulado de janeiro a maio de 2026, foram registradas 295 ocorrências, uma redução de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. Trata-se do menor número para o período desde 2014”, pontuou. 

“Vale destacar que as forças policiais atuam com planejamento e inteligência, porém ressaltamos que os confrontos são provocados pela resistência criminosa, que insiste em atacar as forças de segurança. A Secretaria reafirma seu compromisso com a segurança pública, com a preservação da vida da população fluminense e com o combate permanente ao crime organizado.”

Os demais estados não se manifestarem até a publicação desta reportagem.

Fonte: Agência Brasil

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